quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Se puderes...

Se puderes segurar minhas mãos e afagá-las
Enxugar minhas lágrimas e roubar-me um sorriso
Eu te olharia com olhos de gratidão
E desfolharia as tristezas que carregas contigo

Se puderes acalmar-me a alma num simples abraço
Calar-me os lábios com as pontas dos dedos 
fazendo-me esquecer os meus anseios
Eu te olharia cheia de desejos
E transbordaria de mim os mais doces suspiros

Se puderes arrancar de mim todos os meus segredos
Despindo-me do passado que outrora me sufocava
Eu te daria minha pele
Para te cobrir e aquecer nas noites frias

Se puderes comigo admirar a lua
Brincar de contar estrelas e rir das minhas brincadeiras tolas
Eu te levaria comigo para a chuva
Para que as gotas possam lavar os seus cabelos

Se puderes me levar para ver o mar
Sentir comigo a brisa 
e deixar as ondas molharem nossos pés
Eu beijaria seu rosto como se fosse o primeiro raio de sol 
depois de um tórrido inverno

Se puderes fazer de mim um poema,
onde cada verso me versa
Eu me versaria também no teu ser
Para juntos sermos um...

Um rio que corre e deságua no mar...

No mar dos desamores
dos temores
dos desejos
E formar aquele tão sonhado beijo
que nunca poderemos ter...

MS






sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A espera...

Lá fora a noite é um pulmão ofegante
O som ritmado que inspira e expira
É um dos poucos sons que consigo ouvir
Além do bater apressado do meu coração

Espero-te
A ânsia me consome
Meus dedos caminham sobre a mesa
Minhas pernas balançam
Onde estás?

Lá fora a noite ainda respira
Mas à medida que os segundos passam
Sinto que logo não farei o mesmo
Pois me falta o ar

Caminho de um lado para outro
Como um tigre enjaulado
Mexo nos bibelôs de vidro da sala de estar
Onde estás?

O telefone me parece tão ofegante quanto à noite
Devo ceder a tão vil tentação?
Não, a sociedade condenar-me ia

Apazíguo meus ânimos
E vou para a cozinha
Bebo algo com gelo
Degusto dado a contragosto

Espero-te!
Será que a noite está ficando sem ar tanto quanto eu?
Onde estás?

Já são nove, dez, onze, meia noite!
Ainda espero-te, mas meus olhos estão cerrados
Quando chegares ouvira injurias
Chegarás?

Quando já não posso mais ouvir os suspiros da noite
Tu chegas, na ponta dos pés
Finjo que durmo
Meu coração engrandece
Meu corpo treme e brada
Mas não abro os olhos até que chegues até mim

Quero perguntar onde estavas
Mas não tenho forças
Estou tão ofegante quanto à noite
Nada mais importa
Apenas teus lábios cálidos nos meus...


                                                                                                                                       MS

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

COLAPSO


Ele é iminente
Não consigo evitar
Um turbilhão de pensamentos
Sufocando-me a mente
Formando o frenesi que
tanto temo e que tanto procuro
Então, perco-me perante minha face
Os olhos queimando as persianas
forçando-as permanecerem abertas
Quanto tempo suportará?
Ponho-me a respirar toda essa eloquência
e logo desfaleço...
Sem forças...
O que resta?
Ou, o que restará?
Permitindo-me ainda ser um pouco mais ousada,
Pergunto:
- O que restou?
Uma mescla de cabelos, lágrimas e desespero
Uma respiração lenta
Um coração apertado
Um suspiro angustiado
Um choro proeminente que
foi impedido de se manifestar
Mais uma noite mal dormida
Uma vida sem sonhos
Uma alma sem esperança
Uma convulsão que eclodiu num corpo
Um simples corpo
Um reles corpo
Como todos os outros
Dos quais só restará
o pó.

MS

domingo, 13 de dezembro de 2015

Boa noite Penha!



À Léo Andrad (e Fiapo)

Gostaria de dormir!
Embora as persianas insistam em permanecerem abertas
Meu corpo arfante de cada suspiro chega a me sufocar
E dói, dói muito! Apenas sei que aperta o peito e dói...
Lembro dos pontos luminosos que costumava olhar pela janela
A lua graciosa se exibindo para mim
Lembro de andar pelas ruas e não conseguir parar de admirar
Achando que a cada passo dado me encontrava
E ali, eu pertencia...
Andávamos juntos e você me contava a sua historia
Carregou meus sapatos, pegou minha mão e juntos, assistimos o sol nascer...
E você me disse para não pensar demais e simplesmente viver
E agora, o que devo fazer?
Não são mais as mesmas ruas
Não são mais as mesmas palavras
Não são mais os mesmos perfumes
Agora, olho pela janela e não vejo mais nada
Os morros sumiram do meu campo de visão
E não sinto mais o gosto do mar
Gostaria de dormir
Embora os olhos se recusem a descansar
E penso: Cadê o mar?
Cadê os fiapos de vento que embalavam meus cabelos quando via o sol mergulhar?
E o que restou do meu coração eu peço:
Por favor, não se despenha!
Pois metade de mim ficou na Penha...

MS


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