Mostrando postagens com marcador MS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MS. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de março de 2017

Oração

Teço os sonhos
nas contas do terço
Quando se acaba
há sempre a próxima dezena
Ciclo
Dezenas de sonhos
Que podem ficar girando
infinitamente
Podem?
Ciclo sem fim
Cada conta do teço um pedaço que padeço
Estilhaços de sonhos
E há sempre a cruz...


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Nebulosa



Ela ficou chorando atrás da porta 
a noite inteira 
E não percebeu quando amanheceu e o sol já estava alto 
Tentando agredir seu rosto 
Ela se recusava a levantar 
Parecia que seu corpo nu era feito de madeira 
Tal como a porta
Ela fazia parte de toda a mobília empoeirada do apartamento 
Seu lar é nebuloso 
Não!
Ela própria é nebulosa 
Ela toda 
Com todas suas mágoas dentro dela
Mesmo com o sol insistindo em invadi-la 
ela não se aquece 
Talvez, porque ela não queira
Talvez, seu desejo seja o simples abrir da porta 
empurrando-a ao chão 
Para, no segundo seguinte, 
ser envolvida nos únicos braços que a conseguem aquecer 
Mas, ao invés disso 
Ela ficou chorando atrás da porta 
Que nunca mais abriu....

MS 


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Ma Vie


Não sei como consegui chegar aqui
Só sei que cheguei
E como não sei o caminho que me trouxe
Não sei como voltar
Então, fico presa ao passado
Esperando que o presente me transporte para o outro lado
E lá
Diferente de aqui
Existem estrelas
Existem sonhos
Onde, quem sabe, enfim
Eu possa viver...


MS:.

Escrito em 26.06.10


domingo, 16 de outubro de 2016

Monologo

Pergunto-me para onde foram minhas palavras...
Aquelas que outrora te enchiam os ouvidos.
Hora palavras de amor,
Hora desamor,
Onde elas estão?
No sopro de vida que ainda me resta, 
Será que voltarão?
Ou simplesmente elas bateram asas 
e voaram através da imensidão?
E assim, repousam no lugar onde todas as palavras nascem...
Onde todas as palavras morrem.
Restando apenas o pó daquele amor, 
de todo aquele amor que durante anos tentei te falar,
Num monologo sem fim...
Pergunto-me se um dia, 
apenas uma única vez, você ouviu,
Ouviu?
Perguntou-me o que eu quero, respondi: Você
Perguntou-me o que eu espero de você, respondi: Tudo
Perguntou-me o que eu espero da vida, respondi: Nada
Não há mais nada para esperar...
As minhas palavras são as pétalas arrancadas das flores no jogo de 
"bem me quer, mal me quer"...
E agora, o vento as levou para brincar... 
para longe de mim...


MS


segunda-feira, 2 de maio de 2016

Quando ela me deixou

- Não te amo mais... – Foram essas as últimas palavras que ouvi quando ela me deixou, restando apenas um eco agudo do cachorro que latia na vizinhança, aquele latido que mais parece um grito de apelo.
Foi assim quando ela me deixou, deixando para trás o seu cheiro pelas paredes da minha casa, ainda algumas peças de roupas e seus porta retratos espalhados pela sala.
Na noite em que ela me deixou estava fazendo frio, mesmo assim eu suava demasiadamente pelo desespero por ela ter me deixado. Após o estrondo que a porta fez ao fechar, eu fiquei para trás, encostando as costas na porta e sentando no chão, então, abracei meu corpo ficando em posição fetal como uma forma de proteção, onde nenhum mal pudesse me atingir.
Quando ela me deixou não consegui chorar, ela não levou meus LPs de rock, nem minha coleção de quadrinhos. Ela levou apenas ela própria, levou seu corpo quente, sua respiração suave e suas palavras doces, levou sua mania de tomar chá antes de dormir, levou o seu mau humor matinal, levou também seu sorriso quando eu falava bobagens.
Não consegui dormir no dia em que ela me deixou. Fiquei remoendo suas últimas palavras e durante a noite inteira, tentei entender quando ela deixou de me amar. Pensava, pensava e pensava, até que sem forças e sem respostas, no chão da sala, no tapete surrado ao pé da porta, o sol começou a agredir meu rosto, sol já alto e forte, e pensei: - Puta que pariu, preciso ir para o trabalho.

domingo, 13 de março de 2016

Regardez-moi


Respiro o perfume doce das minhas fantasias
Saboreando cada sabor em seu corpo
Deliciando-me com cada gesto seu
Agregando-me aos seus apelos e desejos
Sufocando a consciência
e afagando os ímpetos
Mergulho no ritmo de sua respiração
e ponho-me a dançar a sua canção
Como estrelas aninhando-se no céu
ao cair da noite
Aqueço-me no seu calor
Onde não existe o frio
Onde não existe a dor
E perco-me em meus próprios pensamentos
Suplicando o entendimento
Dilacerando os sentimentos
Alimento-me de seus lábios
Vejo através de seus olhos
 A perfeita cor da existência
Onde o mundo não tem vez
São apenas as sobras...
O que restou
Da plenitude de sua essência
Do universo que é você
e do desespero de meu ser
ao contar cada segundo
o momento em que vou te ver
...

MS

domingo, 24 de janeiro de 2016

Naquele dia [apaixone-se]

Olá, hoje a publicação é muito importante e especial. Trata-se de uma narrativa escrita por mim e por Flávio Ferreira do blog O corvo e o Carcará [link], uma parceria que deu certo, pois o resultado me deixou muito orgulhosa. Flávio é uma pessoa admirável, tanto profissionalmente como ser humano. Escreve lindamente, de forma singular, simples e ao mesmo tempo avassaladora, como se brotasse da alma.
Obrigada Flávio! Obrigada pelo convite, pelas críticas literárias, por compartilhar comigo seus escritos, nunca canso de lê-los. Sei que já disse mil vezes, porém repito: sou sua fã.
Obrigada!

E vamos esperar pelos novos escritos...

Naquele dia


Ele

Quando ele acordou naquela manhã logo procurou planejar suas palavras, ações e reações, criar momentos favoráveis que os levassem a um momento sublime e ainda sentia os efeitos do despertar quando percebeu que isso é impossível, não se cria momentos inesquecíveis, eles acontecem com quem espera milagres.

Aliás, quando ele acordou pela manhã jamais poderia imaginar que seu dia não teria 24 horas, como todos os outros da sua vida, jamais poderia imaginar que um gesto, que para tantos é banal, seria radiante o suficiente para quebrar paradigmas temporais.

Naquela manhã não poderia imaginar qual o real sentido de um mar de sentimentos invadindo o pequeno cais do seu coração, nem como poderia ser um tufão de emoções destruindo o pequeno e frágil forte que protegia sua razão.

Sendo assim, ele não imaginava que aquela seria a sua última manhã, pois o homem que despertaria no outro dia seria outro completamente diferente.

E ainda amanhecia o dia...


Ela

Despertou calmamente com as imagens desfazendo-se aos poucos perante seus olhos. Ela sabia que não era simplesmente um sonho, e sim seus tão imaginados desejos que insistiam em ocupar-lhe a mente.

Respirou a poeira do sol que entrava pela fresta da janela de seu quarto. Sentiu um nó na garganta ao perceber que o coração ainda doía. Quando ela acordou naquela manhã tinha a ilusão de que ao dormir poderia amanhecer sem a dor, porém sentiu a saudade, aquela saudade que sufoca, pois era a saudade de algo que ela nunca viveu.

Olhou para o pequeno porta-retrato em seu criado mudo ao lado da cama, era uma fotografia dele, uma fotografia roubada, um doce segredo que ela guardava. Perdeu a noção de quanto tempo ficou sentada na cama observando cada detalhe dele, guardando a imagem em sua retina, pois em seu coração ele habitava há tempos.

Naquela manhã ela acordou e percebeu que era um redemoinho, onde girava e girava sem parar todas as suas dores, todos os seus sorrisos, todos os seus desejos, engolindo-a para dentro de si própria.

Assustou-se com o toque de seu aparelho celular, era o despertador, lembrando-a dos compromissos que tinha naquele dia. Ela desligou o alarme, visualizou as horas, espreguiçou-se estalando as costas antes de levantar da cama, e mesmo sem saber, já não era mais a mesma mulher.

E ainda amanhecia o dia...


Ele

Tudo o que foi pensado, feito e dito naquele dia concorreu para que o cume fosse com determinado desfecho, e o dia não acabaria enquanto a escalada não chegasse ao fim, que nada mais era, do que um início.

Os mais belos momentos de nossas vidas, chegam em escalas, muitas vezes parecem surpresa aos nossos olhos humanamente depressores, mas são na verdade construídos por almas que já estavam unidas muito antes dos corpos, e naquele dia ele era avisado de cada escala daquela viagem até que seus olhos puderam cruzar com os olhos do desejo ardente de seu coração: ela chegou...


Ela

Olhou para o relógio no seu pulso e reclamou internamente das horas. Cada segundo era uma infinidade de tempo que estava longe dele. A ansiedade intensa a fazia gritar em plenos pulmões preenchendo todo aquele silêncio da espera. Naquele dia ela era mais turbulências que todas as aeronaves do mundo.

Sufocou-se com seus gritos inaudíveis e uma lágrima surgiu no mesmo instante que brotou um pensamento, pensamento esse que a feriu como um espinho, e se ele não viesse ao seu encontro.

No entanto, mesmo o dia encontrando-se em seu fim, onde a noite tentava engolir os últimos raios de sol, ela iluminou-se devido o desejo ardente de seu coração: ele chegou...


Então, veio o silêncio e fez-se a cena

Não há jogos, não há planos neste momento, o que existe são olhares, toques que descarregam uma energia imensamente grande, e que ainda assim eles tentam absorver para si, procuram desesperadamente ser essa energia, decifrá-la para que no futuro possam reproduzi-la sem erros.

Mas há um momento, um segundo em que o mundo simplesmente para de olhá-los e passa a contemplá-los extasiado. É o momento! Seus olhares se cruzam e surgem os sorrisos, pois ele sabia no que ela estava pensando, e ela, sabia que ele sabia. Na verdade, eles são incapazes de esconder qualquer coisa um do outro, basta um olhar e a conversa já foi travada, o segredo já revelado e a omissão completamente desfeita.

O beijo

E chegou o momento! Aquele momento transbordante onde as palavras sucumbem, os gestos não bastam para expressar o que está em si, seus olhares fixos e de pupilas dilatas revelam um ao outro que nada mais pode ser contra, e a entrega ocorre através de um verso simples, mas complexo, onde apenas seus lábios poderiam criar a rima.

No caminho do encontro dos lábios desejosos, seus corações cessam todas as atividades, mas, no encontro único, consumado num beijo tão desejado, o mesmo coração volta a bater, porém com uma diástole que parece querer lançá-lo para fora do peito dele ao encontro do coração dela.

Eles percebem nesse momento que mais do que os lábios, os corações também se beijam naquele instante, neste encontro se fazem um pela primeira vez, quando os lábios buscam um ao outro num desfecho pacífico, mas avassalador, eles percebem que era exatamente ali que desejavam estar, não o lugar em si, mas sim, a maneira: um no outro e outro no um.




Por

Maina Salén e  Flávio Ferreira [link] 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Se puderes...

Se puderes segurar minhas mãos e afagá-las
Enxugar minhas lágrimas e roubar-me um sorriso
Eu te olharia com olhos de gratidão
E desfolharia as tristezas que carregas contigo

Se puderes acalmar-me a alma num simples abraço
Calar-me os lábios com as pontas dos dedos 
fazendo-me esquecer os meus anseios
Eu te olharia cheia de desejos
E transbordaria de mim os mais doces suspiros

Se puderes arrancar de mim todos os meus segredos
Despindo-me do passado que outrora me sufocava
Eu te daria minha pele
Para te cobrir e aquecer nas noites frias

Se puderes comigo admirar a lua
Brincar de contar estrelas e rir das minhas brincadeiras tolas
Eu te levaria comigo para a chuva
Para que as gotas possam lavar os seus cabelos

Se puderes me levar para ver o mar
Sentir comigo a brisa 
e deixar as ondas molharem nossos pés
Eu beijaria seu rosto como se fosse o primeiro raio de sol 
depois de um tórrido inverno

Se puderes fazer de mim um poema,
onde cada verso me versa
Eu me versaria também no teu ser
Para juntos sermos um...

Um rio que corre e deságua no mar...

No mar dos desamores
dos temores
dos desejos
E formar aquele tão sonhado beijo
que nunca poderemos ter...

MS






sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A espera...

Lá fora a noite é um pulmão ofegante
O som ritmado que inspira e expira
É um dos poucos sons que consigo ouvir
Além do bater apressado do meu coração

Espero-te
A ânsia me consome
Meus dedos caminham sobre a mesa
Minhas pernas balançam
Onde estás?

Lá fora a noite ainda respira
Mas à medida que os segundos passam
Sinto que logo não farei o mesmo
Pois me falta o ar

Caminho de um lado para outro
Como um tigre enjaulado
Mexo nos bibelôs de vidro da sala de estar
Onde estás?

O telefone me parece tão ofegante quanto à noite
Devo ceder a tão vil tentação?
Não, a sociedade condenar-me ia

Apazíguo meus ânimos
E vou para a cozinha
Bebo algo com gelo
Degusto dado a contragosto

Espero-te!
Será que a noite está ficando sem ar tanto quanto eu?
Onde estás?

Já são nove, dez, onze, meia noite!
Ainda espero-te, mas meus olhos estão cerrados
Quando chegares ouvira injurias
Chegarás?

Quando já não posso mais ouvir os suspiros da noite
Tu chegas, na ponta dos pés
Finjo que durmo
Meu coração engrandece
Meu corpo treme e brada
Mas não abro os olhos até que chegues até mim

Quero perguntar onde estavas
Mas não tenho forças
Estou tão ofegante quanto à noite
Nada mais importa
Apenas teus lábios cálidos nos meus...


                                                                                                                                       MS

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

COLAPSO


Ele é iminente
Não consigo evitar
Um turbilhão de pensamentos
Sufocando-me a mente
Formando o frenesi que
tanto temo e que tanto procuro
Então, perco-me perante minha face
Os olhos queimando as persianas
forçando-as permanecerem abertas
Quanto tempo suportará?
Ponho-me a respirar toda essa eloquência
e logo desfaleço...
Sem forças...
O que resta?
Ou, o que restará?
Permitindo-me ainda ser um pouco mais ousada,
Pergunto:
- O que restou?
Uma mescla de cabelos, lágrimas e desespero
Uma respiração lenta
Um coração apertado
Um suspiro angustiado
Um choro proeminente que
foi impedido de se manifestar
Mais uma noite mal dormida
Uma vida sem sonhos
Uma alma sem esperança
Uma convulsão que eclodiu num corpo
Um simples corpo
Um reles corpo
Como todos os outros
Dos quais só restará
o pó.

MS

domingo, 13 de dezembro de 2015

Boa noite Penha!



À Léo Andrad (e Fiapo)

Gostaria de dormir!
Embora as persianas insistam em permanecerem abertas
Meu corpo arfante de cada suspiro chega a me sufocar
E dói, dói muito! Apenas sei que aperta o peito e dói...
Lembro dos pontos luminosos que costumava olhar pela janela
A lua graciosa se exibindo para mim
Lembro de andar pelas ruas e não conseguir parar de admirar
Achando que a cada passo dado me encontrava
E ali, eu pertencia...
Andávamos juntos e você me contava a sua historia
Carregou meus sapatos, pegou minha mão e juntos, assistimos o sol nascer...
E você me disse para não pensar demais e simplesmente viver
E agora, o que devo fazer?
Não são mais as mesmas ruas
Não são mais as mesmas palavras
Não são mais os mesmos perfumes
Agora, olho pela janela e não vejo mais nada
Os morros sumiram do meu campo de visão
E não sinto mais o gosto do mar
Gostaria de dormir
Embora os olhos se recusem a descansar
E penso: Cadê o mar?
Cadê os fiapos de vento que embalavam meus cabelos quando via o sol mergulhar?
E o que restou do meu coração eu peço:
Por favor, não se despenha!
Pois metade de mim ficou na Penha...

MS


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Lua de Vidro

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?
(Eleanor Rigby -The Beatles)

Como se fosse um aquário, ela tateou em volta de si mesma tentando encontrar uma saída. Mas foi inútil! Suas mãos sempre tocavam aquela barreira gélida feita de vidro.
Sentada no chão, abraçada como seus joelhos, ela chora. Cansada dessa prisão transparente, ela se desespera ao observar o mundo lá fora. E ficava imaginando...
- Como seria a minha vida além desses muros de vidro? Que aventuras estariam me esperando? Como eu vim parar aqui, dentro dessa bolha invisível aos olhos alheios?
São muitas perguntas sem respostas e sua única certeza é ver que o céu a espera acima de seus olhos. A lua exuberante é a única luz que a aquece, mesmo sabendo que a lua não possui sua própria luz. Porém, do lugar que ela observa até a lua parece ser de vidro e a qualquer momento ela pode-se partir em pedacinhos, tirando-lhe o seu único conforto e cortando-lhe ferozmente a carne.
Só faltava examinar o teto, que suas mãos pequenas e suas pernas curtas não alcançavam.
- Com certeza o céu acima de mim não está bloqueado como as paredes em minha volta? - indagou, querendo ser capaz de voar como um pássaro, para poder alcançar o teto e escapar de sua prisão.
E então, ela poderá sentir o vento fresco da noite e ouvir a canção das estrelas. Poderá sentir o sabor da liberdade com seu corpo flutuando por entre as nuvens e a sua mente despreocupada com os muros de seu coração.
As quatro paredes de concreto e a porta de madeira eram apenas um pequeno mostruário das muralhas de vidro em volta dela, que a impossibilitavam de ser feliz, que a impossibilitavam de viver. Sem janelas o ar fica rarefeito, sem possibilidades as esperanças se tornam caus. E a lua de vidro no céu de vidro cintilava em seus olhos de vidro, convidando-a a fugir desse corpo aprisionado.
Então, de repente seus pés fatigados de correrem sentados começam a formigar levemente e à medida que esse formigamento cresce, ele se espalha pelos joelhos, coxas, costas e braços, até que finalmente seus cabelos balançam graciosamente de um lado para outro, mesmo sem a ação de vento algum.
E maravilhada com o presente da lua, seu corpo se desprende do chão e ela começa a flutuar pelo quarto, as lágrimas escapam de seus olhos, mas ao invés de caírem, elas se transformaram em bolhas cristalinas que piscavam pelo quarto feito vaga-lumes.
E ela subia, subia, subia, até parecer ser o limite das paredes em volta. Com as mãos trêmulas, ela toca o teto transparente e sente aquela barreira sólida e gélida que já conhecia. E pensa:
- Meus Deus! Como o mundo está doente...  
E como se fosse um aquário, ela tateou em volta de si mesma tentando encontrar uma saída e novamente foi inútil.
Seu corpo, então, começa a ficar pesado e aquela gostosa sensação de formigamento se finda bruscamente. E foi possível ouvir o seu grito estridente ecoando pela vizinhança quando a lua se partiu e seu corpo resolveu que era à hora de voltar, caindo rapidamente em seu colchão largo e macio.
E trancada no quarto, ela espera e espera... Em desespero em pesadelo. Deitada na cama, com um pedaço de vidro da lua ao lado, tentando apagar a dor que senti e seus joelhos sangram. Mas essa dor não é maior nem mais forte do que a dor de ter que esquecer que é impossível se ter liberdade para viver e ter força e calma a cada amanhecer.
As marcas no corpo, não são maiores nem mais dolorosas do que as marcas na alma, trazendo a loucura e os calmantes. Imaginado que fazendo o seu corpo sangrar, a dor pode passar. Mas é inútil! A verdade é o avesso!
E trancada no quarto, ela espera e espera... Quem sabe um dia adormece.


MS
Escrito em
12/03/2011



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...